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Showing posts with the label Chico Marques

WILLIE DIXON: O COMPOSITOR QUE COLOCOU PALAVRAS NAS BOCAS DOS MAIORES CANTORES DE BLUES DE TODOS OS TEMPOS

por Chico Marques Willie Dixon foi, sem dúvida, o maior compositor de blues da História do Blues de Chicago. Não se tem notícia de outro compositor antes dele que tenha abastecido com novas canções tantos artistas de blues, e que tenha sido capaz de compor números clássicos numa linha de produção extremamente prolífica ao longo dos muitos anos em que bateu ponto quase diariamente nos Estúdios Chess. Claro que o fato de ter sido o maior não quer dizer que ele tenha sido também o melhor compositor de blues de todos os tempos; suas canções sempre seguiram uma mesma fórmula para obter aceitação imediata do público, e jamais primaram por ousadias melódicas -- tanto que, n esse quesito, as composições de Skip James, Robert Johnson, T-Bone Walker, Elmore James, Jimmy Reed, Lightnin' Hopkins e Sonny Boy Williamson são infinitamente superiores às de Willie Dixon. Claro que isso não reduz de forma alguma a importância e a grandeza do legado musical deste artista multi-talento...

HÁ 119 ANOS, NASCIA BIG BILL BROONZY, O ARTISTA DE BLUES MAIS INFLUENTE E MELHOR SUCEDIDO DOS ANOS 40 E 50.

por Chico Marques Há quase 12 décadas -- mais exatamente, 119 anos -- , nascia  em Scott County, no coração do Mississippi, o fabuloso cantor de blues William Lee Conley Broonzy. Foi no dia  26 de Junho de 1893. Ao menos, é o que consta em sua biografia oficial. Há quem afirme, no entanto, que ele teria nascido em 1898, pois nessa época era comum homens negros aumentarem a idade para conseguir começar a trabalhar mais cedo, ou entrar no Serviço Militar, o que muito provavelmente foi o caso de Broonzy também. Filho de ex-escravos das plantações de algodão, Broonzy tinha 17 irmãos. Quando a família mudou para o Arkansas,  seu tio Jerry Becher -- que era músico profissional, e  tocava vez ou outra com o grande Stonewall Jackson -- logo viu que o menino levava jeito para a música. Ensinou-o  a tocar violino, para acompanhá-lo em suas cantorias, mas ele não  se entusiasmou muito a princípio. Só aos dez anos de idade, quando conheceu o lendário violinist...

BUDDY GUY, 80 ANOS HOJE

DEZ PERGUNTAS PARA O NEO-OITENTINHA BUDDY GUY Pergunta : Carlos Santana disse certa vez que se você tivesse experimentado LSD em meados dos Anos 60, você teria sido Jimi Hendrix antes dele próprio. O que você pensa disso? Buddy Guy : Bobagem, eu nunca precisei de nada além de bom senso e perseverança para chegar onde eu queria como artista. Sabe de uma coisa, eu agradeço muito por ter sido criado numa fazenda. Meus pais eram muito duros comigo, e me ensinaram a ser muito consciente em relação ao que eu pretendia fazer. Por conta disso, nunca fui inconsequente em minhas atitudes. Quando estava aprendendo a nadar no rio, eles me diziam: "Cuidado filho, não vá além de onde seus pés podem alcançar, pois você pode se afogar". Eu vi um monte de gente se afogar bestamente naquele rio, por agirem de forma indulgente. Eu não consigo ser assim. Sou disciplinado. E é justamente essa disciplina que sempre me ajudou a chegar onde queria chegar.  Pergunta : Então você nunca foi...

BIG CREEK SLIM É A PROVA VIVA DE QUE ATÉ OS VIKINGS GOSTAM E ENTENDEM DE BLUES

Por mais que qualquer país da Europa esteja milhares de kilometros distante do Delta do Mississipi ou da Zona Sul de Chicago, isso nunca foi um impecilho para que surgissem artistas de blues genuínos, com sentimento de raiz e a identidade negra que é fundamental, pelos quatro cantos do planeta. No caso específico do Continente Europeu, foram tantos artistas de blues auto-exilados por lá dos Anos 1950 para cá, plantando a semente do blues de forma incansável em apresentações por vários países que hoje, como consequência deste esforço de divulgação, temos um cenário blueseiro rico e variado por lá.   O cantor e guitarrista dinamarquês Marc Rune, vulgo Big Creek Slim, é um exemplo disso. Desde muito jovem, ele se encantou com a levada musical de Muddy Waters, John Lee Hooker e Lightnin' Hopkins, e tratou de aprender seus truques na guitarra da maneira como foi possível na Dinamarca. Quando não havia mais o que aprender por lá, ele caiu na estrada e tratou d...

O SOM E A FÚRIA DE JOHN PRIMER E A REAL DEAL BAND EM "THAT WILL NEVER DO"

Quando chegou a Chicago em 1963 e viu Otis Rush em ação num palco da Zona Sul da cidade, John Primer soube imediatamente onde queria chegar como guitarrista. Só não imaginava que iria levar tanto tempo para conseguir deixar de ser sideman se lançar como artista solo. Foram nada menos que 13 anos à frente dos Teatrdrops, banda do saudoso Magic Slim, depois de trabalhar como músico estepe nas road bands de Muddy Waters e Willie Dixon nos Anos 1970.   Sua sonoridade é fidelíssima à essência do Chicago Blues: usa e abusa de acordes aparentemente rústicos, mas no fundo extremamente elegante e sofisticados, seguindo a tradição de seu mentor e amigo Sammy Lawhorne. Primer estreou solo em dois grandes discos para a Wolf Records no início dos anos 90,  gravados nos intervalos de sessões de estúdio de Magic Slim and The Teardrops -- tanto que, nesses discos, sua banda de apoio é The Teardrops e o patrão Magic Slim participa humildemente como sideman de seu fiel escudeiro. ...

NUNO MINDELIS FAZ 25 ANOS DE CARREIRA. CONHEÇA UM POUCO MAIS SOBRE ELA, E SOBRE ELE.

por Chico Marques COMO TUDO COMEÇOU Aprendi com violão, que eu tocava imitando guitarra. Meu primeiro doi u m violão de lata de azeite de 5 litros, com cordas de fio de pesca, que eu mesmo fiz, por volta dos 5 ou 6 anos. A primeira guitarra uma Gibson Les Paul Custom, aos 17 anos, que tenho até hoje.  Sempre que pude, aprendi a tocar outros instrumentos também: gaita, baixo, bateria... Minha, etc. O INÍCIO DE CARREIRA Recebi meu primeiro cachê profissional aos 14 anos por participação num disco de música africana de uma banda bem popular da época. O produtor ouviu falar de mim, mandou me pegar na escola -- ainda usava calção -- e eu queria misturar Hendrix com música típica africana. Quando estava engrenando aos 15 anos, já tocando em festivais e gigs ecom meu nome começando a sair nos jornais locais, fui exilado devido à Guerra Civil em Angola e fui parar no Canadá, com a roupa do corpo. Quando as coisas começaram a engrenar no Canada, participando de umas gig...